Não sou um dos maiores fãs da Bjork. Mas sempre gostei. Acho que desde os tempos de MTV, quando apareceu com um videoclip espetacular: Human Behaviour.
Não consigo achar no Youtube os vídeos produzidos para a MTV. Apenas shows. Mas acho que dá para notar que é uma artista diferenciada. Seu sotaque é um charme à parte, sua voz, maravilhosa... tem uma beleza estranha. Ambas a voz e a própria Bjork. Linda, cativante e ao mesmo tempo extravagante. Sim, sua música também. Havia tempo que não escutava. Quem me chamou atenção foi um amigo, Márcio Passos. Conseguiu o dvd de clips e levou para assistirmos no projetor do Zasa. Fui procurar na net e encontrei essas filmagens, tiradas de shows ao vivo. Este último o mais interessante na minha opinião. Não sei se sou apenas eu que vejo demais, analiso demais... Mas prestem atenção: Pagan Poetry (Aliás, um show de vocal a partir de 2:40 de filmagem) =) O nome da música é Pagan Poetry. Cantada em uma igreja católica, por uma artista islandesa, coral formado por representantes de etnias ditas pagãs. Amo essa brincadeira dicotômica! Rsrs Uma harpa, belamente tocada. Simples, mas tudo na música. Acompanhada por batidas geradas por computador, um dos objetos mais complexos feito pelo ser humano... Bjork é uma artista que inova, desafia, surpreende. Não são todos que gostam. Eu gosto.
Em 2005, Jack White, do White Stripes, se uniu a Brendan Benson (cantor/compositor), Jack Lawrence (baixista) e Patrick Keeler (baterista) para formar os Raconteurs. O que começou como um projeto paralelo, tornou-se uma grande banda de Rock n’Roll. Após o primeiro álbum, Broken Boy Soldiers, os Raconteurs lançaram em 2008 seu segundo disco, Consolers of the Lonely. Cheio de influencias dos anos 60 e 70, o álbum tem uma pegada forte de guitarras e melodias épicas.
Destaque para "The Switch and the Spur", "Salute your Solution", "Five on the Five" e "Attention".
Consolers of The Lonely é um álbum para se ouvir do início ao fim várias vezes seguidas e que um dia ajudará a contar a história do rock da primeira década do século XXI.
Só pra dar sequencia, o site Music Radar criou uma votação para os melhores riffs de guitarra - aqueles que quando a gente já ouve as duas primeiras notas, identifica na hora! Foram eleitos 50 no total, a lista aí confere os primeiros 25, e, o primeirão, é claro, Mr. Jimi Hendrix:
01 - "Voodoo child", Jimi Hendrix 02 - "Sweet child o' mine", Guns N' Roses 03 - "Whole lotta love", Led Zeppelin 04 - "Smoke on the water", Deep Purple 05 - "Layla", Derek and the Dominos 06 - "Back in black", AC/DC 07 - "Enter sandman", Metallica 08 - "Day tripper", The Beatles 09 - "Smells like Teen Spirit", Nirvana 10 - "(I can't get no) satisfaction", The Rolling Stones 11 - "Paranoid", Black Sabbath 12 - "Plug in baby", Muse 13 - "Ain't talkin' 'bout love", Van Halen 14 - "You really got me", The Kinks 15 - "Seven nation army", The White Stripes 16 - "Highway to hell", AC/DC 17 - "Heartbreaker", Led Zeppelin 18 - "Iron man", Black Sabbath 19 - "Black dog", Led Zeppelin 20 - "Beat it", Michael Jackson 21 - "Paperback writer", The Beatles 22 - "Purple haze", Jimi Hendrix 23 - "Whole lotta Rosie", AC/DC 24 - "Johnny B Goode", Chuck Berry 25 - "Sad but true", Metallica
Eu fico com Stairway to Heaven na primeira posição também, mas, em minha opinião faltou o de "Holy Wars... The Punishment Duo" do Megadeth. A música é enorme, cheia de riffs absurdos e o solo (de mais de 3 minutos) tem várias quebradas na harmonia com um duelo fantástico entre Dave Mustaine e Marty Friedman. Pra quem não conhece, é melhor ao vivo: http://www.youtube.com/watch?v=cfVTSSft7-s
Numa tarde dessas da vida, fui a loja Ná Figueiredo com minha namorada dar uma olhada em umas roupas novas para comprar, quando me deparei no balcão com alguns flyers de festas que estavam por vir, e como tenho costume de colecioná-los peguei dois de cada para coleção.
O flyer que mais me chamou atenção foi de uma festa de heavy metal que ia rolar em um domingo no Amnésia Pub, e sabem o momento em que vem aquele estalo na cabeça? Pois é, foi o que aconteceu comigo, me dei conta de que precisava escrever algo urgente sobre o ambiente que se tornou um dos mais conhecidos e freqüentados espaços das tribos alternativas de nossa mangueirosa.
Para quem não conhece o Amnésia, ele está situado na Tv. Quintino Bocaiúva, n.º 522, entre as Ruas Manoel Barata e 28 de Setembro, inclusive já foi um outro pub anteriormente, para quem não lembra foi o “Barber’s club”, local onde podia se tomar uma cerveja, escutar uma música boa e cortar o cabelo. Enfim, mas o que quero dizer é que, sem dúvida alguma, ele é, atualmente, o espaço mais alternativo da cidade, reunindo festas de diversos estilos.
Nascido com a proposta de atender essencialmente o público GLBT, logo se tornaria um ambiente freqüentado por todo o tipo de gente. O Amnésia já tem em seu currículo festas periódicas, conhecidas e aclamadas do público underground como Pneumática; Radio Trash; Bulhufas; Blacksfera; Ohm Stage; Meachuta; Pogobol; etc. gerando o sucesso do bar e boate no meio alternativo.
As festas já começam as quartas, e o melhor, lotadas, com o melhor da black music, hip-hop, dub, ragga, dancehall e afins, comandadas pela galera do Blacksfera; contrastando a esse estilo, as quintas são dominadas pelos fãs de música eletrônica, sejam elas do pessoal do Bulhufas, ou Ohm Stage, ou de outros núcleos com propostas semelhantes; quanto as sextas e os sábados podem atrair diversos tipos de tribos, sejam por festas realizadas pelos próprios donos ou por outros organizadores; e, por fim, os domingos que ficam por conta dos metaleiros.
O sucesso do Amnésia pub, com certeza, está intimamente ligado ao fator liberdade de expressão e, sem dúvida alguma, a oportunidade que seus donos dão aos organizadores em explorar a festa, a música, o público sem preconceitos, essa é a receita que já rende frutos e incentiva cada vez mais a realização de festas interessantes, criando ainda uma legião de fãs.
Uma coisa é certa, o nome pode ser Amnésia, mas duvido que alguém vai apagar da memória algumas das noites que já houveram por lá, assim como ninguém vai esquecer da saudosa In Sã Nú, trocando em miúdos, esse lugar, com certeza, já entrou na história da cidade de Belém.
O texto reflete a opinião do autor, não do Durango95’.
Sexta feira 13, com toda sua natureza cabalística, lançou seu véu de sucesso sobre o primeiro dia do festival, que imagino ser o mais tenso para os organizadores. Acho que a bênção de Jason Voorhees foi tanta que transbordou à data e alcançou o resto do festival todo.
Quando na véspera eu disse a Marcel Arêde, um dos responsáveis pelo evento, "começa amanhã, né?", ele me respondeu "pra mim começou já tem mais de duas semanas", fiquei tentando imaginar o peso das obrigações que devem recair sobre os ombros destas pessoas brancas que parecem passar uns vários dias sem dormir e sem tomar banho, usando a mesma camisa suada por três dias inteiros. Acho heróico isso. Não a parte de não tomar banho, mas se dedicar de um jeito tão intenso que chega a ser bonito, mesmo para um cara chato e antipático, como eu.
Este ano o Festival Se Rasgum ganhou forma de um evento realmente grande, com pelo menos 2 headlines de peso nacional incontestável. Não que as suas edições anteriores não tivessem tido toda a estrutura que credencie um festival como grande, mas este ano a coisa se deu de maneira diferente. Só de ver o nome do evento ultrapassar a linha vermelha que separa as pessoas normais das que vivem no universo paralelo do mundo independente, com a logo passeando por toda a cidade em propagandas em ônibus e vários carros adesivados rodando por aí, além de milhares de notas sassaricando no twitter sobre o evento, já dá uma idéia do que o festival será no futuro: não mais um nicho específico de vertente de produção cultural, mas a certeza que Belém terá sobre este festival que acontece aqui, e não num universo paralelo dissociado desta realidade. O Se Rasgum se tornará uma data no calendário da Belém real.
O Não Rock Falando em segmentação, nitidamente a produção artística do evento largou as mãos do Rock. Ou melhor, preferiu abrir uma roda, com várias mãos dadas, além do referido estilo. Acho que fica mais justo dizer assim. Mas, falando em justiça, devo dizer que nessa ciranda, o Rock, principalmente o local, ficou distante das mãos da produtora, quase entrando num esquema de quotas. Não estou reclamando, só reportando. Só vou reclamar em outro parágrafo.
Techoshow, Bonde do Rolê, Marku Ribas, Pinduca e Música Magneta, entre outras, deram o tom de mistureba popular cultural ao evento. Particularmente, Pio, Dj Dolores e Vieira (que formavam o M. Magneta) e Pinduca foram interessantes de se assistir. Fora isso, não consegui me maravilhar. Desculpa minha falta de sensibilidade. Mas agradeço ao festival por nos proporcionar esse encontro entre artistas, no geral, tão diferentes que dificilmente aconteceria em situação outra qualquer.
Além da música Aliás, este foi o ponto que, agora sim, me deixou fascinado: a profusão de diferentes tipos de pessoas e de músicas, de roupas, de comida, de discos, de tatuagem, de piercing; com coleta seletiva; com wi fi livre, com workshops, com palestras; o Rui apresentando muito bem as bandas, mesmo falando mais merda por segundo que qualquer ser humano já falou; com grafite e com uma porra de um ralf e uns skatistas que não se cansavam de ficar pra lá e pra cá a noite toda, naquele esporte sem objetivo nenhum. Mas era bem legal de estar presente no meio daquele turbilhão de coisas acontecendo. Fazer parte da história sendo produzida é uma sensação muito boa - provavelmente a melhor de todas as coisas que eu já fiz, mesmo parado, só observando e tentando não esquecer de nada pra poder escrever cá neste blog.
Headlines De cara confesso que eu sou muito fã do Nação Zumbi, mas sou obrigado a dizer que esperava mais do show. Me surpreendi com o Du Peixe como frontman e com o jeitão extrovertido no palco do Lúcio Maia, que eu pensava ser mais contido, como todos os guitarristas que eu gosto. É uma baita banda, mas que me cansou a certa altura do show. Fiquei triste por o som não estar como deveria até perto do fim.
Falando em som bom, o Pato Fu afastou a idéia de apresentação monótona e meteu ficha na simpatia e na perfeição do áudio e do timing com a programação de midi (que há quem resuma o conceito em playback), sem falar na iluminação super bem feita. Ai um mapa de iluminação na minha vida... Mas há quem diga que todas as piadinhas e falas com o público são ensaiadinhas e repetidas idênticas de shows em outros lugares. Enfim, foi legal de se ver. Admirável pela disciplina e pela técnica.
Não vi o Velhas Virgens, mas todo mundo diz que foi um showzão. Sei que no Matanza as pessoas ficaram loucas. Eu nem sabia que essa banda era grande. Um ruivo com o cabelo todo cheio de pontas duplas e quebrado, um filhinho de papai metido a cantar hinos que lembram muito aquele personagem do Tom Cavalcante, o Pit Bicha. Sabe? Um lance meio de "sou muito macho, até debaixo de outro macho". Bom, eu acho a banda uma merda, mas muita gente gostou, gritou, esperneou...
Os melhores shows Houve dois momentos de gazelagem da minha parte neste festival: 1) Eletrola tocando "Antes do fim", no Palco Laboratório. Eu até parei de filmar o show, fiquei na minha, miúdo, quieto, me arrepiei, de verdade. Juro que quase cai a lágrima; e 2) Sincera tocando Admitir. Que música intensa! Fudida!
Vou começar pelas exceções: 1) AMP, de Pernambuco, que deve signifcar Alto Mesmo, Porra!, ou coisa do tipo. É pra quem gosta de guitarra, stonner, captação EMG, tudo grave, pegada forte, porrada na cabeça e de ROCK no seu sentido mais puro. Bem legal. Só tinha ouvido as músicas no Myspace meses antes de eles serem anunciados no Se Rasgum, mas é como Fernando Rosa diz, sobre termos que ver as bandas ao vivo pra saber o que elas realmente são. E 2) GORK. Convesando com o próprio Jesus Sanchez, baixista do Gork e do Los Pirata, eu disse "showzão ontem" e ele "é só putaria, né, cara" e sorriu. É muito fácil fazer uma boa apresentação com guitarra com timbre lindo e perfeitinho, letras edificantes e vocais melodiosos, mas usar uma Gibson Black Beauty e tirar um som horrível, numa métrica toda cortada, numa música falada, vestido de um jeito ridículo, com letras do tipo "Pode parecer mentira, mas eu sou um vampiro. Minha mãe é uma cigana, meu pai é o Biro-Biro!" é só pros melhores. Ambujamra é o cara!
Agora vamos para a regra: sem querer ser pedante ou bairrista, duvido que alguém discorde do fato de que as bandas paraenses fizeram os melhores shows do festival todo. Vou na ordem: a interessantíssima apresentação do The Baudelaires, desfilando uma coleção de temas de grande qualidade abriu o festival; Ataque Fantasma foi embananado pelo som do palco grande, mas mesmo assim foi bastante competente; Aeroplano fez uma apresentação condizente com quem está afiado o suficiente para entrar em estúdio; Juca Culatra é o showman de Belém; Johny Rockstar fez um dos três melhores shows do festival inteiro; o outro foi do Sincera; e o outro foi do Delinquentes, que chamou o terceiro dia de 'noite do caos'. Jayme Katarro é foda!
Não que eu queira ser chato e cospir no prato em que comi, mas, sério, não é patente, pra não dizer gritante, que as bandas locais atraem público, agitam muito os shows, e merecem um horário melhorzinho? Não digo isso nem querendo puxar o tapete das bandas de som mais... regional, mas batendo de frente com o que é rock mesmo, tão genéricas que mostraram, no máximo, guitarras bonitas ou integrantes bonitas. Tão significativas que foram que eu não saberia nem dizer quem é quem se me perguntassem. Fica uma sugestão, como público que sou, para o Festival, que observe que as bandas locais merecem horários melhores, para o bem do próprio evento.
A gente sempre ouve, quando termina uma edição do Se Rasgum, que será o último, mas torce muito para que seja só o cansaço falando alto e da boca pra fora dos corações dos organizadores. Parabéns a todos, público, bandas e produção. Obrigado por me deixarem participar um pouquinho da feitura da história da sociedade em que vivo e espero que tenham gostado deste resumão gigantesco e, ainda assim, omisso em muita coisa.